[Palácio de Cristal - Porto]
Hoje vim em busca de alguma paz. É difícil ser-se ponderado quando não se tem paz no espírito. Não sou hipócrita. A minha paz passa sempre por ambições bélicas, por desordenar a minha ordem. Mas sabes, não é necessariamente mau, sempre tive aversão a tudo o que é convencional. Na verdade sou anti-convenção e não sofro por isso, não quando sei que a minha paz e a minha felicidade são consequência de tudo aquilo que defendo com a verdade.
Agora, estranhamente, nesta procura, tive a ousadia de me convencer que, mais do que ter a sorte de viver, seria ter a sorte de morrer, de me metamorfosear naquilo que acho ser a realidade mais metafísica que alguma vez questionei: A NATUREZA. Já pensaste como tudo seria fantástico se pudessemos reduzir a memória a cheiros, a sentidos? Imagina-te a regeres-te pelo cheiro da terra molhada, pelo sabor do mar, pelo suor de pela imergida em desejo, pelo som das tuas próprias gargalhadas? Como é genial a natureza...
Não acredito na morte, como não acredito na vida como sua opositora. Não sei se acredito na reencarnação, não se, no meu intelecto, o primeiro acto racional for decompor a palavra, for reflectir sobre o étimo. Não, Deus! A gramática refuta sempre as minhas crenças! Mas sim, acredito numa "reen-qualquer-coisa". Acredito que a Terra é um habitat de energia que se dispõe em várias realidades, que essa mesma energia é eterna e que circula desde o início do mundo. SOMOS TODOS ENERGIA. Não temos alma, PSYCHE, temos ENERGIA. Acredito sobretudo que toda a energia é consciente, apenas não pudemos experienciar, ou não nos lembramos, e consequentemente deter a compreensão dessas outras formas de realidade. Sendo assim, é mesmo certo que tudo aquilo que não podemos explicar seja resultado da junção de manifestações conscientes da natureza.
Não receio morrer. Anseio mudar de realidade. Se perdesses alguns minutos a observar a energia de uma árvore, de uma flor, a energia da terra negra, a energia do silêncio...e os cheiros, sempre os cheiros, os cheiros que são a prova de que tudo se movimenta...diz-me, se nos fosse possível, se a consciência humana nos falhasse, aceitarias saltar daqui e desprender-te do teu corpo para te misturares na beleza do brilho do Douro, para te misturares no som das folhas ao vento, para experienciares a verdadeira liberdade que é fazeres parte de uma harmonia indescritível? Vejo-nos daqui a sorrir. A SALTAR.
E hoje, pelo menos hoje, encontraria a paz que vim buscar, imaginando-nos, sem questionar, a cair, a deixar cair o corpo no desconhecido com a certeza que a coragem de saltar foi o mote para uma libertação que tantos questionam e tão "futilmente" abandonam.
"A conquista da liberdade é algo que faz tanta poeira, que por medo da bagunça, preferimos, normalmente, optar pela arrumação."
Carlos Drummond de Andrade
ARRUMAÇÃO = FUTILIDADE/ MONOTONIA/ BANALIDADE.
Persephone
3 comentários:
Quando disseste q ias voltar à escrita estava longe de pensar que ia ser assim e digo-te que adorei! o teu irmão já viu isto? é q tenho a certeza q as coisas vão começar a mudar, loooool. ;)quanto ao post, não vamos discutir crenças, mas sabes que as minhas andam lá perto!
N percebi o título, mas como não dás ponto sem nó, acredito q tenha sido a melhor escolha. Vê lá se dás mais notícias e apareces por coimbra.
Beijos princesa.
Olá. não se pode dizer nada que tu vens logo cuscar :)
Eu faço sempre por ser uma surpresa. Se ele já viu eu não sei, mas há relações que não mudam nunca ^^
Isto são apenas reflexões minhas, não é para levantar discussões ou outra coisa qualquer, ambiciono somente que sejam respeitadas. Quanto ao título...não é para entenderes.
Diz-me, como estás tu?prometo que assim que tiver um bocadinho dou aí um salto. Beijos
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