"Os sentimentos que mais doem, as emoções que mais pungem, são os que são absurdos - a ânsia de coisas impossíveis, precisamente por serem impossíveis, a saudade do que nunca houve, o desejo do que poderia ter sido, a mágoa de não ser outro, a insatisfação da existência do mundo... O sentirmo-nos é então um campo deserto a escurecer, triste de juncos ao pé de um rio sem barcos, negrejando claramente entre margens afastadas..."
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quinta-feira, 28 de outubro de 2010
Ontem deitei-me no chão. Há três noites que não durmo. Há três noites que me questiono qual o motivo da minha constante angústia. Há três noites que não encontro resposta. Levantei-me da cama, entrei no chuveiro e deixei a água lavar-me a alma. Podia desabafar contigo porque em ti encontro o resto que sobra de quem não quero encontrar. Não sei se quero desabafar. Não sei se preciso. Não sei porque não durmo há três noites. Vesti-me. Estava frio hoje. Arranjei-me como se fosse. Onde não sei... Aquele baton vermelho dá-me confiança. Saí. Ouvi um piropo e cheguei àquela rua. À rua onde o burburinho é tão excitante...onde os cheiros e os sons transformam-nos apenas em sentidos. Decidi ser banal. Podia ter ido em busca da alegria em tantos livros, álbuns, filmes...Comprei uns sapatos. Os mais altos que encontrei. Calcei-os e senti-me senhora de tudo. Naqueles saltos, os meus pés arqueavam-se como eu sempre os habituei, como os de uma bailarina. Deliciei-me com aquela alegria fútil de mulher que pensa conquistar o mundo com uns sapatos. Sorri. Paguei e fiquei sentada no meio da rua. Lembrei-me de novo daquela angústia, daquela passividade e apatia que trazia no colo, já tão cansada. Hoje senti-me dona do mundo. Há três noites que não durmo...
domingo, 24 de outubro de 2010
Vícios
Música.Dança.Viver.Chocolate.Livros.Flores.Olhos Castanhos.Gargalhadas.Escrever.Camus.Poesia.Cantar.Luxuria.Preto.Amor.Arte.Hip Hop.Estrasburgo.Fotografia.Guitarra.Cinema.Comboios.Roxo.David Lynch.Cheetos.Aventura.Mar.Sexo.Memórias.Serralves.Amigos.Vento.Cheiros.Eça de Queirós.Porto.Fogo.Boas Conversas.Arrogância.Mozart.Girassóis.Tabaco.Noite.Pimpas.Crepes.Chuva.Teatro.Gritar.Carmina Burana. Astronomia.Vestidos de Noiva.Sarcasmo.Praia.Confidências.Mitologia.Sapatos.Correr.Estrelas.Baton Vermelho.Expressão Corporal.Paula Rego.Bombeiros.Português.Gemidos.Anéis.Saudades.Espelhos.Verão.Toque.Ler. Metal.Entender. Flirt's.Concertos.Conduzir.Sedução.Mudanças.Sirenes.África.Samba.Viajar.Exercício.Dança Contemporânea.Perigo.Óculos de Sol.Domínio.Saber.Querer.Mau Humor.Calvin & Hobbes.Literatura.Saltar.Sonhar.Humor Inteligente.Picanha.Arrumar.Chorar.Crescer.Pensar.Insanidade.Psyche.Grego.Psiquiatria.
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
É sonanbula a minha saudade,
Ambição de beijos mordidos de coragem
Sol ambíguo rodando sob uma miragem
no deserto destas margens de não ser.
Vi-te despido de ausência
Respirando e murmurando gritos brancos
Entre os teus olhos manchados de castanho.
Roças a tua barba de desordem democrática
No meu pescoço fugidio
Bem como teus olhos dos meus.
Munido de armas numa batalha sem guerreiros
A tua guerra leva a bandeira da felicidade
Içada para ninguém.
É sonambulo o meu amor
Do qual me afasto correndo estática
Sem questionar o tremer das minhas mãos
Que seguram as tuas que me guiam para lado nenhum.
Faço autópsias aos meus sentimentos,
Vivo da morte do meu caos
Que reparte desenhos de rectas circulares,
Onde numa corda bamba me seguro sem cair.
O impossível é o nada
Subo a escada saltando degraus
Chego ao topo sem saber quem sou
E em baixo, desfragmentada
A felicidade grita-me vitória.
Assim quero ser.
Ouvir cantar o que nunca serei
Por ti tudo...rio-me...o nada é a moral que nunca quero seguir...
Persephone
Junho 2007
:/
Ambição de beijos mordidos de coragem
Sol ambíguo rodando sob uma miragem
no deserto destas margens de não ser.
Vi-te despido de ausência
Respirando e murmurando gritos brancos
Entre os teus olhos manchados de castanho.
Roças a tua barba de desordem democrática
No meu pescoço fugidio
Bem como teus olhos dos meus.
Munido de armas numa batalha sem guerreiros
A tua guerra leva a bandeira da felicidade
Içada para ninguém.
É sonambulo o meu amor
Do qual me afasto correndo estática
Sem questionar o tremer das minhas mãos
Que seguram as tuas que me guiam para lado nenhum.
Faço autópsias aos meus sentimentos,
Vivo da morte do meu caos
Que reparte desenhos de rectas circulares,
Onde numa corda bamba me seguro sem cair.
O impossível é o nada
Subo a escada saltando degraus
Chego ao topo sem saber quem sou
E em baixo, desfragmentada
A felicidade grita-me vitória.
Assim quero ser.
Ouvir cantar o que nunca serei
Por ti tudo...rio-me...o nada é a moral que nunca quero seguir...
Persephone
Junho 2007
:/
domingo, 17 de outubro de 2010
Ana. Ana Miguel. Bide. Rafa. Piscina. Vizinhos. Jardinagem. Filetes. Quermesse. Patroa. Romana. Finos. Jantares. Treino. "ai que lócura". Rifas. 100. Cacos. Iran Costa. Pizza. Noite. Pipo. Futebol. Toyota. Figos. Makulelê. "Carolina vais cair". Fael. Pimpas. Cor-de-laranja. Competência. Comissão. Bicicleta. Café. Kiko. Relva. "abre-me o portão". Calor. Sweet Child O'Mine. Extravaganza. Pai da Criança. SMS. olhos azuis. BMW. papel higiénico. Pasta dos dentes. Pipocas. Toalhas. Takanas. Cobertores. "Fod*-se, fomos apanhados". Porto. Bombeiros. bidé. Bordel. Prémios. Cachorros. Massajador dos pés. "Calem-se, à noite ouve-se tudo". Mergulhos. Aspirador. Maças. Guarda-redes. Desabafo. "oh vizinhaaaaaaaaaaaaaaa". Impecável. Explicações. "Srª doutora". Anadia. Luvas. Basket. Bolachas. Espumante. "Virar garrafas". Carimbos. Abraços. Quadros com cavalos. Queimadas. Borboleta. Balões. Pirralhos. Gelados. Festa. União. Água. Snooker. Cloro. Fotografias. Matrecos. Beijos. Mota. Conferências. Verão. Bolo de chocolate. Bebedeira. Baile. Gargalhadas. Relva. "Plano anti-poucas vergonhas na rua". Lanches. "Tou cheio de t'obir". Assadeiras com asas. Vasos. Filmes. "oh vóooooooo". Churrasco. Lulas cruas. Óculos de sol. Natas do céu. Ervas daninhas. Sol. "Só faltam 6anos".Saudades. ................
Porque mil palavras trazem milhões de sentimentos e memórias. Porque a idade nunca separa pessoas que são naturalmente felizes juntas. Obrigada por todos os momentos.
<3 Vizinhos
Porque mil palavras trazem milhões de sentimentos e memórias. Porque a idade nunca separa pessoas que são naturalmente felizes juntas. Obrigada por todos os momentos.
<3 Vizinhos
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
Passo, não paro, não olho e reflicto...
Quem te pôs assim de olhos brilhantes
Em dias longos de risos ofegantes...
Invejo-te a certeza e o caminho de não-ser,
A alegria contra-amor de um anseio por viver.
Não pares, segue a sul,
Seduz todos os mares, ventos e lugares
À altivez dessa força meritória em alguém.
Alguém, não tu...ou tu como alguém.
Assim não dói, assim não cansa seres tu, feliz ou infeliz mas sempre com a certeza...
Não é egoísmo essa arrogância com travo insano a jasmim;
Não uses a subtileza,
Grita fogo,
Mas sê tu mesmo até ao fim.
Persephone
Julho 2010
Dedicado ao Marco, por ocasião do seu aniversário. :)
Quem te pôs assim de olhos brilhantes
Em dias longos de risos ofegantes...
Invejo-te a certeza e o caminho de não-ser,
A alegria contra-amor de um anseio por viver.
Não pares, segue a sul,
Seduz todos os mares, ventos e lugares
À altivez dessa força meritória em alguém.
Alguém, não tu...ou tu como alguém.
Assim não dói, assim não cansa seres tu, feliz ou infeliz mas sempre com a certeza...
Não é egoísmo essa arrogância com travo insano a jasmim;
Não uses a subtileza,
Grita fogo,
Mas sê tu mesmo até ao fim.
Persephone
Julho 2010
Dedicado ao Marco, por ocasião do seu aniversário. :)
quarta-feira, 7 de julho de 2010
you are welcome to elsinore
Entre nós e as palavras há metal fundente
entre nós e as palavras há hélices que andam
e podem dar-nos morte violar-nos tirar
do mais fundo de nós o mais útil segredo
entre nós e as palavras há perfis ardentes
espaços cheios de gente de costas
altas flores venenosas portas por abrir
e escadas e ponteiros e crianças sentadas
à espera do seu tempo e do seu precipício
Ao longo da muralha que habitamos
há palavras de vida há palavras de morte
há palavras imensas, que esperam por nós
e outras, frágeis, que deixaram de esperar
há palavras acesas como barcos
e há palavras homens, palavras que guardam
o seu segredo e a sua posição
Entre nós e as palavras, surdamente,
as mãos e as paredes de Elsenor
E há palavras nocturnas palavras gemidos
palavras que nos sobem ilegíveis à boca
palavras diamantes palavras nunca escritas
palavras impossíveis de escrever
por não termos connosco cordas de violinos
nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar
e os braços dos amantes escrevem muito alto
muito além do azul onde oxidados morrem
palavras maternais só sombra só soluço
só espasmo só amor só solidão desfeita
Entre nós e as palavras, os emparedados
e entre nós e as palavras, o nosso dever falar.
Mário Cesariny
Porque hoje tenho o sangue a ferver.
Porque hoje tenho vontade de te possuir.
Entre nós e as palavras há metal fundente
entre nós e as palavras há hélices que andam
e podem dar-nos morte violar-nos tirar
do mais fundo de nós o mais útil segredo
entre nós e as palavras há perfis ardentes
espaços cheios de gente de costas
altas flores venenosas portas por abrir
e escadas e ponteiros e crianças sentadas
à espera do seu tempo e do seu precipício
Ao longo da muralha que habitamos
há palavras de vida há palavras de morte
há palavras imensas, que esperam por nós
e outras, frágeis, que deixaram de esperar
há palavras acesas como barcos
e há palavras homens, palavras que guardam
o seu segredo e a sua posição
Entre nós e as palavras, surdamente,
as mãos e as paredes de Elsenor
E há palavras nocturnas palavras gemidos
palavras que nos sobem ilegíveis à boca
palavras diamantes palavras nunca escritas
palavras impossíveis de escrever
por não termos connosco cordas de violinos
nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar
e os braços dos amantes escrevem muito alto
muito além do azul onde oxidados morrem
palavras maternais só sombra só soluço
só espasmo só amor só solidão desfeita
Entre nós e as palavras, os emparedados
e entre nós e as palavras, o nosso dever falar.
Mário Cesariny
Porque hoje tenho o sangue a ferver.
Porque hoje tenho vontade de te possuir.
quarta-feira, 30 de junho de 2010
Joana, como pude eu culpar-te pela minha inocência há três anos atrás, como pude camuflar o meu desespero e não aceitar que não podemos ser perfeitos. Tu e tantas outras pessoas que deixaram e vão deixando partes de si em mim, me vão fazendo existir e me fazem questionar, viver numa espécie de e eu para não ser. Para não ser o que não quero, para não ser o que não posso, para não ser um outro alguém. Soa mal… mas tu sabes que gosto de fazer neologismos na vida, se assim não fosse, nunca seria eu. Como se fosse uma versão feminina de Mersault, tudo o que faço tem um quê de absurdo, sobrepõe-se sempre a uma questão. POSSO? Sabes que sempre me tentei exceder, e tu nunca me criticaste. Ambas sabíamos que o limite da coerência dos outros nunca foi o meu… Muito nos rimos, sabíamos que aqueles segredos eram nossos, ou arcaria com a consequência dos meus actos. Gostava que estivesses perto de mim… sei que odeias a minha arrogância, mas sei também que deixaste o melhor de ti em mim. Estranha a coincidência, porque fui novamente questionada acerca dos meus limites. Não sei se o silêncio que fiz para ti naquela altura foi porque achava que sabias a resposta, ou porque eu não a sabia. E sabes porque sou feliz agora? É porque finalmente percebi que não os tenho, e que se os tiver nunca poderei ser eu, assim, como tu me conheceste. Eu nunca fui superior, mas o facto de saber que cada momento em que eu decido o que é melhor para mim independentemente de alguém achar o contrário, faz de mim alguém que vou sempre querer ser… hoje quero dizer-te, que por pior que tenho feito, nunca me vou arrepender. Não, não vou crer que o que é certo ou errado no emocional/racional humano foi quase ditado por convenção universal, a teoria de Fiske que eu “destruí” aos gritos numa aula de Semiologia (lembras-te?xD), porque para mim os sentimentos não são conceitos e tudo, tudo nesta vida é efémero, mesmo as nossas verdades de agora. Hoje eu sei e faço questão que a minha visão do certo ou errado seja mesmo minha, numa furiosa possessão, porque só eu e mais ninguém sabe o que me faz feliz, o que me extasia, o que me alucina, o que me faz querer chegar mais longe. Queria dizer-te que me recordo do dia de ontem há três anos como se fosse hoje. Queria dizer-te o que não pude por ter talvez limites, queria dizer-te o que o meu orgulho não me deixou: Obrigada por teres sido incansável. Hoje, Joana, eu POSSO tudo.
quinta-feira, 29 de abril de 2010
.
Escolhas. Inspiro e interiorizo esta palavra. Penso. Olho em volta e vejo rostos fechados, risos, conversas animadas, olhares perdidos e pensativos, expressões sonolentas. testas franzidas, e repenso que tudo é consequente à escolha. TODOS nós somos escolhas e não há nada mais imperativo na nossa vida. Não vivemos, ESCOLHEMOS viver. ESCOLHEMOS a forma, o sabor, o feitio...estou apaixonada por ti... Não foi o acaso, foi uma ESCOLHA. Irónico como a nossa felicidade é tão dependente de escolhas e mesmo assim nunca acertamos nelas. ESCOLHAS. ESCOLHAS. ESCOLHAS. Podia deixar de fazer sentido, como quando somos crianças e repetimos aquela palavra até ela perder a sua personalidade. (risos) Somos Homens porque escolhemos. Se tudo é efémero, qual a razão porque temos que escolher a cada passo que damos? ESCOLHER, não optar. Diferente? Igual? Oh, como a carga de responsabilidade aumenta até na escolha da palavra. Matar-me seria matar o mundo. Oh, como até o futuro consegue depender de uma só escolha. Não de uma decisão, mas de uma ESCOLHA. O silêncio não é um estado, é uma ESCOLHA. E da mesma forma que estes rostos à minha volta se transfiguram, toda eu me apercebo que dentro deles flutuam escolhas boas ou más que condicionam o meu presente, este instante. Escrever foi uma escolha...ou afinal uma consequência. Quantas voltas daria para modificar consequências...ou seriam ESCOLHAS?...
Persephone
(Foto por O.B @ Petite France - Estrasbourg. Texto em Março 2010, Viagem entre Porto - Aveiro, interrompido por minha escolha.)
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
Aqui cheguei em passos errantes
Por ruas de valsas longas que dancei rindo passiva de corpo lento.
Levaste-me, Troquei de par
Veloz, esperando e perdendo a raridade da calma que sobrou das quedas sobre o tempo não claro.
Eu sei, assim seria, assim conseguiria
E juntos agora, de novo pedimos paz,
Aquela que eu quis nos meus olhos água turva que a vida me recusou,
Falando à loucura e fazendo horas à minha ambição.
Agora danço com alma,
Defronte aos meus espelhos vejo a cura da minha erudição genuína.
Não nego esta felicidade,
Não é uma utopia, és TU,
És tu a valsa que vou dançar eternamente
Em batimentos certos, de vestidos longos e corpo esguio
Como sempre sonhei clandestinamente.
Persephone
Por ruas de valsas longas que dancei rindo passiva de corpo lento.
Levaste-me, Troquei de par
Veloz, esperando e perdendo a raridade da calma que sobrou das quedas sobre o tempo não claro.
Eu sei, assim seria, assim conseguiria
E juntos agora, de novo pedimos paz,
Aquela que eu quis nos meus olhos água turva que a vida me recusou,
Falando à loucura e fazendo horas à minha ambição.
Agora danço com alma,
Defronte aos meus espelhos vejo a cura da minha erudição genuína.
Não nego esta felicidade,
Não é uma utopia, és TU,
És tu a valsa que vou dançar eternamente
Em batimentos certos, de vestidos longos e corpo esguio
Como sempre sonhei clandestinamente.
Persephone
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