Pauis de roçarem ânsias pela minh' alma em ouro...
Dobre longínquo de Outros Sinos... Empalidece o louro
Trigo na cinza do poente... Corre um frio carnal por minh' alma...
Tão sempre a mesma, a Hora!... Balouçar de cimos de palma!
Silêncio que as folhas fitam em nós... Outono delgado
Oh que mudo grito de ânsia põe garras na Hora!
Que pasmo de mim anseia por outra coisa que o que chora!
Estendo as mãos para além, mas ao estendê-las já vejo
Que não é aquilo que quero aquilo que desejo...
Címbalos de Imperfeição... Ó tão antiguidade
A Hora expulsa de si-Tempo! Onda de recuo que invade
O meu abandonar-se a mim próprio até desfalecer,
E recordar tanto o Eu presente que me sinto esquecer!...
Fluido de auréola, transparente de Foi, oco de ter-se.
O Mistério sabe-me a eu ser outro... Luar sobre o não conter-se...
A sentinela é hirta - a lança que finca no chão
É mais alta do que ela... Para que é tudo isto.... Dia chão...
Trepadeiras de despropósitos lambendo de Hora os Aléns...
Horizontes fechando os olhos ao espaço em que são elos de ferro...
Fanfarras de ópios de silêncios futuros... Longes trens...
Portões vistos longe... através de árvores... tão de ferro!
Fernando Pessoa
Não resisti...é o meu favorito de Pessoa.
"Os sentimentos que mais doem, as emoções que mais pungem, são os que são absurdos - a ânsia de coisas impossíveis, precisamente por serem impossíveis, a saudade do que nunca houve, o desejo do que poderia ter sido, a mágoa de não ser outro, a insatisfação da existência do mundo... O sentirmo-nos é então um campo deserto a escurecer, triste de juncos ao pé de um rio sem barcos, negrejando claramente entre margens afastadas..."
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quinta-feira, 4 de junho de 2009
quinta-feira, 5 de março de 2009
Nas minhas costas direitas, caminhos sinuosos em tons de ouro
Guiam as tuas mãos até aqui.
Aqui poderia ser eu ou o quente-lume
Do meu cabelo loiro que afasto dos olhos para te ver.
Respira. A arte da tua presença
Molha-se de saliva misturada com prudência,
Quando me pedes silêncio ao te saber longe e ausente
Das tuas muralhas que aprendi a derrubar.
Bebo-te o olhar, sublevo os sentidos só porque,
Em permanência na tua posse,
Se anula a minha razão… meu mar, minha nudez.
Retorno eterna aos teus braços.
E porque te amo, meu amor,
Da minha desdita fiz altivez.
Persephone
Guiam as tuas mãos até aqui.
Aqui poderia ser eu ou o quente-lume
Do meu cabelo loiro que afasto dos olhos para te ver.
Respira. A arte da tua presença
Molha-se de saliva misturada com prudência,
Quando me pedes silêncio ao te saber longe e ausente
Das tuas muralhas que aprendi a derrubar.
Bebo-te o olhar, sublevo os sentidos só porque,
Em permanência na tua posse,
Se anula a minha razão… meu mar, minha nudez.
Retorno eterna aos teus braços.
E porque te amo, meu amor,
Da minha desdita fiz altivez.
Persephone
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