Reprimo forças neutras que inspiro ao chegar
Da longa viagem que faço sem partir.
E, absorta em todos os pensamentos
Que me fazem desistir,
Fico inerte em abraços intermináveis
E lamento o tempo que passa longe da minha estrada.
Paredes meias, de costas voltadas,
Insiro Nela todas as formas seculares e involuntárias
De sorrisos e entraves
À lúgrebe forma de viver.
Despeço-me de veludos dourados,
Das palavras dissonantes; do corpo embotado,
E chamo-me a mim.
Talvez.
Embono o meu navio de guerra funesto e traço novas rotas
Meu porto me espera, algures entre a vitória e a derrota.
Persephone
1 comentário:
Pelo sonho é que vamos,
comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não haja frutos,
pelo sonho é que vamos.
Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
que talvez não teremos.
Basta que a alma dêmos,
com a mesma alegria,
ao que desconhecemos
e ao que é do dia-a-dia.
Chegamos? Não chegamos?
- Partimos. Vamos. Somos.
Sebastião da Gama, 1953
ana calado
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