
Senhores, Senhores, ajoelhai-vos, deixai passar sobre vossos corpos Eros, deus do amor.
Vossa sede nunca será saciada, nenhum de vós será digno do verdadeiro amor.
Como ousais achar-vos dignos de amar, se nem a vós mesmos entregais vossas vidas, tão imundas e cobertas de rancor?
De que vos interessais vós? Somente de dois corpos entregues a um futuro vazio, sem glória nem pudor...
Fugi, fugi de minha cólera, sou eu quem detem vossas almas em minha posse. Só sabereis o que é o amor, quando de vosso coração, que não vos pertence, jorrar o sangue que Zeus vos concedeu...negro da futilidade que vos move...
Se sofrerdes mais do que quando uma lança vos traça o peito, talvez, no alto dos céus, bem longe no Olimpo, Eros poderoso vos dote do tão simples amor...
Só sereis dignos de levantar a cabeça a Eros quando morreres em vós mesmos...pelas lágrimas de outrem.
(Discurso sobre Eros, deus do amor, e único amor de Psyche, deusa da alma)
Persephone
1 comentário:
«De que vos interessais vós? Somente de dois corpos entregues a um futuro vazio, sem glória nem pudor...».
já várias vezes me questionei se não será o futuro vazio o que nos motiva. se após a vida há a morte que melhor maneira de nos preparar para tal senão apostar num futuro com linhas traçadas e acabadas? A glória para deuses o pudor para diáconos o vazio para os restantes. Desenganemo-nos no entanto se julgamos que o vazio equivale a nada.
Beijos.
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