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quarta-feira, 9 de julho de 2008

Sento-me. Doi-me o corpo. O dia está abafado e não consigo respirar. Não te consigo perdoar. Não me sei perdoar. Rio-me. Sei que não doi. Sei-te demais. E estranho não te pensar, não te querer, não te deixar ficar. Agora deito-me. Nua. Desejo-me. Penso, recordo, aflijo, choro, grito, revolto-me. Mas continuo sem te pensar. Olho para o pouco que vivi. Olho para o pouco que tenho para viver. É fácil querer, é difícil morrer. Olho-me de fora como se soubesse levitar. Experimento voar. Encontro-te fora de mim. Quem és? Quem fomos? Já não sou. Sinto o sangue a palpitar nas veias porque me lembro. Já não sei chorar porque recordo. Não sei quem és. Estás longe. Estás perto. Páro. Agora levanto-me. Danço. Toco-me. Passo a mão no pó da mesa. Encontro a tua foto. Deixo-a estar porque não te quero recordar. Tanto me faz. Não sei se existes. Adormeço. Não quero saber. Não quero morrer...por ti outra vez.

Persephone
Agosto 2007

3 comentários:

Henrik disse...

O tempo apaga...o tempo apaga? talvez apague, talvez deguste melhor...talvez...talvez...se o talvez fosse para o caralho é que fazia bem...talvez...talvez...mas o mundo não é nenhuma representação de vontades que se confrontam...não..é uma derrocada de almas esperançadas...mas não se pense que isso desanima as almas perturbadas..somos seres perturbáveis...e por vezes somos perturbados pelo positivo...talvez...

Persephone disse...

não ponho o talvez como uma hipotese...para mim o talvez vai mesmo para o caralho. o conseguir é mesmo a meta...se o tempo apaga?apaga sim, porque eu quero, e na minha vida a minha vontade é o imperativo no que toca a sentimentos. todo o resto só nos perturba se quisermos.
Mas esse estado de alma é só para quem pode, ja dizia alguém...
:)
e tu sabes que eu posso...

Henrik disse...

Podes sim. O talvez que vá para o caralho. (lol, estamos bem educados hoje..lol).