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segunda-feira, 14 de julho de 2008

Os ponteiros do relógio são mudos, mas ressoam na minha cabeça
Como firmes tambores que marcam os passos de um soldado.
Marcha! - penso - sem rumo nem sorte.
Uso máscara, as lágrimas são de quem espera e observa o teu corpo
Sombrio na luz de papel da noite mal escolhida.
Canto-te no silêncio verdades que não ouves,
E a chuva insiste em bater no vidro tão transparente como as tuas mãos,
Que o meu corpo abandonam.
Não grito porque dormes. Não durmo porque grito.
É subtil o teu respirar, reconheço o teu cansaço sem olhar.
Vivo de cheiro, sobrevivo de lugares
E acordo quente de ti num lugar jamais de minha posse...
Sussurra-me o amanhã que nunca vai chegar,
Eu sou donzela de nobres ruínas,
Espaços sem nomes,
Onde insisto em não permitir o tempo passar...

Persephone

To Rui
Abril 2007

1 comentário:

Henrik disse...

Os ponteiros do relógio para mim são sempre barulhentos e pesados pesam na consciência. Alguém disse que a consciência é sempre religiosa...quem foi...?...ah sim...Raul Brandão...inteligentíssima percepção, desde cedo nos 'educam' a não 'faças isso' ou 'aquilo' alguém te castigará. O sentimento religioso é quase sempre o temor e o temor desperta o demónio (não se vive com Deus sem demónios, que é o mesmo que dizer que não se pratica o bem se não soubermos que mal combatemos, ainda que seja o nosso próprio mal.) E muitas das vezes sabemos no nosso íntimo que o demónio somos nós.
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